domingo, 11 de março de 2012

Helena Kolody - Ontem Agora

MINHA MUSA INSPIRADORA...
Palavras são pássaros
      voaram
não nos pertencem mais!

HELENA KOLODY

"Amor "


O amor

O amor é a primeira palavra
A designação grega é Agape.
Não se refere à exigência do amor,
E sim à qualidade do amor que sentimos em nós.
Às vezes,
sentimos que não amamos uma pessoa,
mas somos o próprio amor.
Nessas horas,
Vivenciamos o amor como uma força, uma fonte,
que flui em nós e jamais resseca.
A nossa vida adquire um novo sabor,
O sabor do amor.
Simbolicamente,
o vinho sempre tem a ver com o amor.
Ao experimentarmos o amor em nós enquanto fonte,
esta emerge de nós e flui em direção a tudo que existe.
Em direção à natureza que nos circunda,
às pessoas e até aos objetos que se encontram em nossos quartos.
Nessas horas não precisamos tentar obter o amor à força.
Ele simplesmente existe e confere uma  outra qualidade às nossas ações.
Não será penoso conviver com seres humanos,
pois o amor que flui em nós permite que sintamos
o amor que emana das pessoas e que vem em nossa direção.
O fato de alguém estar exaurido ou não
depende também dos seus sentimentos em relação às pessoas.
Quando alguém tem dificuldade de se aproximar das pessoas,
vivenciará qualquer trabalho como um peso.
Quando, porém,amamos as pessoas,
a sua companhia se torna um prazer,
e quando delas nos afastarmos,
fá-lo-emos recarregados com novas forças.
O amor forçado não só nos exaure mais rapidamente,
Como, também, muitas vezes, parece artificial e,além disso,não atinge o outro.
Quando, porém, confiamos que existe em nós uma fonte de amor,
então gozaremos da companhia dos outros; não é preciso fazer nada.
Simplesmente permitimos que o amor flua e recebemos bastante amor em troca,
pois a direção do fluxo é dupla.
Naturalmente ele também se baseia na experiência do amor com nossos pais e amigos.
Mas trata-se de algo mais do que apenas  uma fonte natural.
Trata-se por fim de um presente.
Este é inesgotável
Por sair diretamente de DEUS.

Anselmo Grun com adaptações de Laridani.

sábado, 10 de março de 2012

"A lua ..."SÓ A LUA - ABSYNTHO


A lua!

          Hoje eu vi a lua
                                          Toda nua
                                  Bela como aquela
                       Do mês passado...
               Há o passado
      Era mal usado...  Acabado
      Com todo o seu mal cuidado.
        Agora és tu que brilha para mim no luar
              E cria a alegria de viver e ser
                     A resposta de uma vida
                           Que se ignorava perdida
                                 E confundida
                                      Num simples existir...

EU e RELUZ - MARCOS SABINO


EU

Em meio a mim
Brilha uma luz
Que se reluz meu ser
De descobrir o amanhecer
De minha pessoa
Meu eu,
Minhas coisas e valores
Que se confundem
Em novos despertares
De informações e decisões.
E na confusão de ser
Produz o efeito
Do real e irreal
Englobando
O responder a estímulos
Que provém do meu
Inconfundível
 Existir...

A morte da tartaruga

 
                      A morte da tartaruga           

O menininho foi ao quintal e voltou chorando: a tartaruga tinha morrido. A mãe foi a quintal com ele, mexeu na tartaruga com um pau (tinha nojo daquele bicho) e constatou que a tartaruga tinha morrido mesmo. Diante da confirmação da mãe, o garoto pôs-se a chorara com mais força. A mãe a princípio ficou penalizada, mas logo começou a ficar aborrecida com o choro do menino.
-Cuidado, senão você acorda seu pai.
Mas o menino não se conformava. Pegou a tartaruga no colo e pôs-se  cariciar-lhe o casco duro. A mãe disse que comprava outra, mas ele respondeu que não queria, queria aquela, viva! A mãe lhe prometeu um carrinho, um velocípede, lhe prometeu uma surra, mas o pobre menino parecia estar mesmo profundamente abalado com a morte do seu animalzinho de estimação.
Afinal com tanto choro, o pai acordou la dentro, e veio estremunhado, ver de que se tratava. O menino mostrou-lhe a tartaruga morta. A mãe disse:
-Esta aí assim    meia hora,chorando que nem maluco. Não sei mais o que faço. Já lhe prometi tudo, mas ele continua berrando desse jeito.
O pai examinou a situação e propôs:
-Olha, Henriquinho.Se a tartarugo está morta não adianta mesmo você chorar. Deixa  ela aí e vem cá com o pai.
O garoto depôs cuidadosamente a tartaruga junto do tanque  e seguiu o pai, pela mão. O pai sentou-se na poltrona, botou o garoto no colo e disse:
-Eu sei que você sente muito a morte dela. Mas nós vamos fazer pra ela um grande funeral. -Empregou de propósito a palavra difícil. O menininho parou imediatamente de chorar.
-Que é funeral?
O pai lhe explicou que era um enterro.                                                        
-Olha, nós vamos à rua, compramos uma caixa bem bonita, bastante balas,bombons,doces e voltamos para casa .Depois botamos a tartaruga na caixa em cima da mesa da cozinha e rodeamos de velinhas de aniversário. Aí convidamos os meninos da visinhança,acendemos as velinhas,cantamos o “Happy-Birth-Day-To-You” pra tartaruguinha morta e você  assopra as velas. Depois pegamos a caixa, abrimos um buraco no fundo do quintal, enterramos a tartaruguinha e botamos uma pedra  em Cima com o nome dela e o dia em que ela morreu. Isso é que é funeral! Vamos fazer isso?
O garotinho estava com outra cara.
Vamos, papai, vamos! A tartaruginha vai ficar contente lá no céu, não vai?   Olha, eu vou apanhar ela.
Saiu correndo. Enquanto  pai se vestia,ouviu um grito no quintal.
-Papai, papai,vem cá,ela está viva!
O pai correu pro quintal e constatou que era verdade. A tartaruga estava andando de novo, normalmente.
-Que bom,hein? -disse. -Ela está viva!! Não vamos ter que fazer o funeral!!
-Vamos sim,papai -disse o menino ansioso, pegando uma pedra bem grande. -Eu mato ela.
(Millôr Fernades)